
A acusação de importunação sexual, definida no artigo 215-A do Código Penal, refere-se à prática de um ato libidinoso contra alguém sem a sua anuência, com o objetivo de satisfazer o próprio desejo sexual ou o de terceiro. Diferentemente de outros crimes sexuais, não envolve violência ou grave ameaça. Exemplos comuns incluem toques não consentidos, beijos forçados ou outros atos de natureza sexual que violam a liberdade da vítima.
Receber uma acusação dessa natureza é uma situação devastadora. Além do peso emocional e do estigma social, há a complexidade de um processo criminal que pode alterar drasticamente a vida de uma pessoa. Para o homem acusado injustamente, compreender cada etapa do processo não é apenas um direito, mas uma ferramenta essencial para construir uma defesa sólida e garantir que a justiça prevaleça. Este guia foi elaborado para desmistificar o caminho jurídico, desde o registro da ocorrência até uma possível sentença, com uma linguagem clara e direta.
Um processo criminal não é um evento único, mas uma série de fases com regras e procedimentos específicos. Conhecer essa jornada é o primeiro passo para uma defesa eficaz.
Tudo geralmente começa quando a suposta vítima registra um Boletim de Ocorrência em uma delegacia de polícia. A partir desse registro, a autoridade policial instaura um Inquérito Policial para apurar os fatos. Nesta fase, o objetivo é coletar elementos de informação sobre a autoria e a materialidade do crime. O delegado ouvirá a suposta vítima, o acusado, testemunhas, e buscará por provas como filmagens de câmeras de segurança ou conversas em aplicativos.
É fundamental que o acusado, ao ser intimado a depor, já esteja acompanhado por um advogado. O primeiro depoimento é uma peça crítica que será analisada durante todo o processo.
Após concluir a investigação, o delegado elabora um relatório final com tudo o que foi apurado e envia o inquérito ao Ministério Público. O MP, como titular da ação penal, analisará o caso e poderá tomar uma de quatro decisões:
O ANPP é um acordo celebrado entre o Ministério Público e o investigado para evitar o processo judicial. Para isso, o investigado precisa confessar o crime e cumprir certas condições. A lei exige que o crime não tenha sido cometido com violência ou grave ameaça e que a pena mínima seja inferior a 4 anos. A importunação sexual, em tese, preenche esses requisitos. Contudo, a decisão de oferecer o acordo é do promotor e a confissão é um requisito obrigatório, o que pode ser extremamente prejudicial para quem é inocente. A aceitação de um ANPP deve ser uma decisão estratégica, tomada apenas com a orientação de um advogado especialista.
Se a denúncia do MP for recebida pelo juiz, o investigado passa a ser réu no processo. As etapas seguintes são:
Em um processo criminal, tanto o acusado quanto a vítima possuem direitos que devem ser respeitados para garantir um julgamento justo.
A prova em crimes de importunação sexual costuma ser um desafio, pois muitas vezes ocorrem sem testemunhas diretas.
Atitudes impensadas podem comprometer seriamente a defesa. Evite cometer estes erros:
A resposta é simples: imediatamente. Assim que você for notificado sobre a investigação, seja por uma intimação para depor ou por qualquer outra via, a busca por um advogado especialista em direito criminal é a medida mais importante a ser tomada. Um profissional com experiência na área saberá como agir desde o primeiro momento, orientando sobre o que dizer (ou não dizer), reunindo provas de defesa desde o início e traçando a melhor estratégia para proteger seus direitos e sua liberdade.
Enfrentar uma acusação de importunação sexual é uma jornada árdua e complexa, onde cada passo importa. O sistema de justiça criminal possui regras próprias, e tentar navegá-lo sozinho ou com uma assessoria inadequada pode levar a consequências irreversíveis. O princípio da presunção de inocência é a base de um estado democrático, e a defesa técnica é o instrumento que garante sua aplicação.
Se você está enfrentando uma acusação, compreender seus direitos e as etapas do processo é o primeiro passo para uma defesa justa e equilibrada. A orientação jurídica qualificada e especializada não é um luxo, mas uma necessidade para assegurar que a verdade dos fatos seja devidamente apurada e que a justiça seja efetivamente alcançada.