
A violência doméstica é um problema social grave, e a legislação busca, com razão, proteger as vítimas. No entanto, em meio a um cenário de alta complexidade emocional e jurídica, é fundamental lembrar que o sistema de justiça deve garantir a todos, sem exceção, o direito à ampla defesa e à presunção de inocência. Uma acusação, por mais séria que seja, não é uma sentença. Homens acusados injustamente se veem em uma posição de extrema vulnerabilidade, onde sua reputação, liberdade e laços familiares são colocados em risco, muitas vezes com base em uma narrativa unilateral. Compreender os direitos do acusado de violência doméstica é o primeiro e mais crucial passo para construir uma defesa sólida e garantir que a justiça prevaleça. Este artigo foi criado para esclarecer, de forma técnica e acessível, como o processo funciona e quais as medidas corretas a serem tomadas.
O processo geralmente começa de forma rápida e impactante, o que pode desestabilizar quem não está preparado. Entender as etapas é vital para não cometer erros.
Tudo começa quando a suposta vítima procura uma delegacia de polícia e registra um Boletim de Ocorrência. Nesse momento, ela narra sua versão dos fatos e, com base nesse relato, pode solicitar Medidas Protetivas de Urgência. É importante destacar que, nesta fase inicial, a análise do juiz é feita inaudita altera pars, ou seja, sem ouvir o acusado. O juiz avalia o pedido com base unicamente no relato da suposta vítima e no registro policial. Se entender que há indícios de risco, ele defere as medidas, que podem incluir:
Após a concessão das medidas, um oficial de justiça irá notificar (citar) o acusado. Este é o momento em que ele toma ciência oficial da acusação e das restrições impostas. A partir da citação, começam a contar os prazos para apresentar sua defesa. É um momento crítico. O acusado terá um prazo para apresentar uma contestação às medidas protetivas e, paralelamente, será instaurado um inquérito policial para apurar o suposto crime que deu origem à denúncia (ameaça, lesão corporal, etc.).
Mesmo diante de uma medida protetiva, o acusado não perde seus direitos constitucionais. Conhecê-los é a base para uma defesa eficaz. Ignorá-los pode levar a consequências graves.
Os direitos do acusado de violência doméstica são garantidos pela Constituição e pelas leis processuais. Os principais são:
O principal dever do acusado é cumprir rigorosamente a medida protetiva, mesmo que a considere injusta. O descumprimento é crime autônomo (art. 24-A da Lei Maria da Penha) e pode levar à prisão preventiva, complicando drasticamente a situação jurídica.
Em casos de violência doméstica, a palavra da vítima tem especial relevância para a justiça. Por isso, a defesa não pode se limitar a uma simples negativa. É preciso construir um conjunto de provas robusto que demonstre a inocência ou, no mínimo, coloque em dúvida a versão da acusadora.
As provas mais eficazes são aquelas que desconstroem a narrativa da acusação. Isso pode ser feito através de:
No calor do momento, muitos homens acusados cometem erros que podem ser fatais para sua defesa. Aja com racionalidade e evite:
A resposta é: imediatamente. Assim que receber a notificação do oficial de justiça ou até mesmo se souber que um Boletim de Ocorrência foi registrado contra você. Um advogado generalista pode ajudar, mas um especialista em direito criminal, com foco na defesa em casos de violência doméstica, possui o conhecimento técnico sobre as nuances da Lei Maria da Penha, a jurisprudência específica e as estratégias de defesa mais eficazes. Ele saberá como agir para revogar a medida protetiva, como orientá-lo a coletar as provas corretas e como apresentar a melhor defesa técnica no processo criminal, protegendo seus direitos como acusado de violência doméstica de forma completa.
Enfrentar uma acusação de violência doméstica é uma das experiências mais devastadoras que um homem pode viver. A pressão social, o afastamento da família e o risco à liberdade criam um ambiente de enorme angústia. Contudo, é fundamental manter a calma e agir de forma estratégica. O sistema legal existe para apurar os fatos e garantir um julgamento justo, e seus direitos constitucionais, como a presunção de inocência e a ampla defesa, são suas maiores ferramentas. Não hesite em buscar suporte jurídico especializado. Uma defesa técnica, humanizada e combativa é o caminho para restabelecer a verdade e proteger seu futuro. Se você está enfrentando essa situação, o primeiro passo é buscar orientação qualificada para entender seu caso e traçar a melhor estratégia de defesa.