
A Lei nº 11.340/2006, popularmente conhecida como Lei Maria da Penha, é um marco legislativo fundamental para coibir e prevenir a violência doméstica e familiar contra a mulher. Seu principal instrumento de proteção imediata são as medidas protetivas de urgência, decisões judiciais que visam garantir a integridade física, psicológica, sexual, patrimonial e moral da vítima. Contudo, como em qualquer processo legal, existe a possibilidade de acusações injustas. Este artigo tem como objetivo esclarecer, de forma técnica e acessível, como funciona o processo de solicitação e contestação dessas medidas, garantindo que os direitos de todas as partes sejam compreendidos e respeitados, com foco especial na perspectiva do homem que se vê alvo de uma medida protetiva e precisa entender como o sistema funciona para poder se defender adequadamente.
Entender o fluxo do processo é o primeiro passo para uma defesa eficaz. O procedimento é desenhado para ser rápido, dada a urgência que a situação geralmente demanda. As etapas principais são:
Tudo começa quando a suposta vítima se dirige a uma Delegacia da Mulher ou a uma delegacia comum e relata uma situação de violência. Ela não precisa de um advogado para fazer esse pedido. O relato dela é registrado em um boletim de ocorrência e, com base em sua declaração, ela pode solicitar as medidas protetivas que julgar necessárias, como o afastamento do suposto agressor do lar ou a proibição de contato.
Após o registro, a autoridade policial tem 48 horas para encaminhar o pedido ao juiz competente. O juiz, por sua vez, também tem 48 horas para analisar o caso e decidir sobre a concessão das medidas. É crucial entender que, nesta fase inicial, a decisão é tomada inaudita altera pars, ou seja, sem ouvir a outra parte (o suposto agressor). A decisão é baseada exclusivamente no relato da vítima e nos elementos apresentados por ela na delegacia. O objetivo é proteger a vítima de um risco iminente.
Uma vez que o juiz concede a medida, um oficial de justiça é encarregado de intimar o suposto agressor sobre a decisão. A partir do momento da intimação, ele está legalmente obrigado a cumprir todas as determinações sob pena de cometer o crime de descumprimento de medida protetiva, que pode levar à prisão preventiva.
Embora a Lei Maria da Penha tenha um viés protetivo claro para a mulher, o sistema legal garante direitos ao acusado. É fundamental conhecê-los.
A produção de provas é o coração de qualquer processo judicial, e nos casos de violência doméstica, isso não é diferente. As provas podem tanto fundamentar o pedido da vítima quanto a defesa do acusado.
Em casos de violência doméstica, que frequentemente ocorrem sem testemunhas, a palavra da vítima tem um peso especial para a justiça. No entanto, ela não é uma prova absoluta. Deve ser analisada em conjunto com outros elementos, e a defesa tem o direito de questioná-la e apresentar contraprovas.
Para o homem acusado injustamente, a coleta de provas que demonstrem a sua versão dos fatos é vital. Exemplos incluem:
Receber uma intimação de medida protetiva é uma situação delicada. Certas atitudes podem agravar drasticamente o quadro jurídico.
A postura correta desde o início pode fazer toda a diferença no resultado do processo.
A resposta é: imediatamente. Ao ser intimado de uma medida protetiva, o tempo é um fator crucial. Um advogado especialista em direito de família e criminal, com experiência na Lei Maria da Penha, saberá como agir para:
As medidas protetivas são ferramentas essenciais para a proteção de mulheres em situação de vulnerabilidade. No entanto, o sistema jurídico prevê mecanismos para que acusações injustas sejam contestadas e a verdade restabelecida. Para o homem que se encontra nessa posição, agir com serenidade, respeitar integralmente a decisão judicial e buscar imediatamente o auxílio de uma defesa técnica especializada não é apenas uma opção, mas uma necessidade. Uma atuação jurídica competente e estratégica é o caminho para garantir que seus direitos sejam preservados e que a justiça seja feita. Se você foi intimado sobre uma medida protetiva e acredita que a acusação é injusta, não hesite em procurar orientação legal qualificada para entender seus direitos e os próximos passos a serem tomados.