Medida Protetiva: A Importância de um Advogado Especializado Para Defender Seus Direitos

O que é uma Medida Protetiva e por que ela exige atenção imediata?

As medidas protetivas de urgência, previstas principalmente na Lei Maria da Penha, são ferramentas legais criadas para proteger, de forma rápida e eficaz, indivíduos em situação de risco de violência doméstica e familiar. Socialmente, representam um avanço crucial na proteção de vítimas. No entanto, do ponto de vista jurídico, o procedimento de concessão dessas medidas pode gerar situações complexas e, por vezes, injustas, especialmente para o homem que se vê alvo de uma acusação sem o devido processo legal contraditório inicial.

Muitas vezes, a decisão judicial que impõe uma medida protetiva é tomada inaudita altera pars, ou seja, sem que a parte acusada seja ouvida previamente. O juiz baseia sua decisão inicial unicamente no relato da suposta vítima. Isso significa que um homem pode ser obrigado a sair de casa, ser proibido de se aproximar dos filhos e ter sua rotina drasticamente alterada com base em um relato unilateral. É nesse cenário que a atuação de um advogado de medida protetiva se torna não apenas importante, mas fundamental para garantir o direito à ampla defesa e evitar que consequências devastadoras e permanentes se instalem a partir de uma acusação infundada.

Como Funciona o Processo de Medida Protetiva na Prática

Entender o fluxo do processo é o primeiro passo para uma defesa eficaz. O desconhecimento pode levar a erros que comprometem seriamente a situação do acusado. O processo geralmente segue etapas bem definidas.

A Solicitação e a Decisão Judicial Rápida

Tudo começa quando a suposta vítima se dirige a uma delegacia de polícia para registrar um Boletim de Ocorrência. Nesse momento, ela narra os fatos e pode solicitar as medidas protetivas. A autoridade policial encaminha o pedido ao Poder Judiciário em até 48 horas. O juiz, também em um prazo de 48 horas, analisa o pedido e decide se concede ou não as medidas, baseando-se nos elementos apresentados pela requerente. As medidas mais comuns incluem:

  • Afastamento do lar;
  • Proibição de aproximação (distância mínima);
  • Proibição de contato por qualquer meio (telefone, redes sociais, mensagens);
  • Restrição ou suspensão de visitas aos filhos.

A Intimação e o Início do Cumprimento

Uma vez que o juiz defere o pedido, um Oficial de Justiça é encarregado de intimar o acusado, ou seja, entregar a ele a ordem judicial. Este é um momento crítico. A partir do instante em que recebe a intimação, o homem é legalmente obrigado a cumprir todas as determinações, sob pena de cometer o crime de descumprimento de medida protetiva, que pode levar à prisão preventiva.

Direitos e Deveres das Partes Envolvidas

Mesmo em um cenário urgente e unilateral, o acusado possui direitos que devem ser resguardados. Ignorá-los é o caminho para o agravamento do problema.

Direitos Fundamentais do Homem Acusado

O principal direito é o de se defender. Após ser intimado, abre-se um prazo para que ele, por meio de um advogado de medida protetiva, apresente sua contestação, provas e testemunhas. Ele tem o direito de ser ouvido, de apresentar sua versão dos fatos e de produzir todas as provas que demonstrem a sua inocência ou a desnecessidade da medida. A presunção de inocência, embora relativizada na fase inicial da medida protetiva, ainda é um pilar do direito e deve ser o norte de sua defesa.

Deveres Inegociáveis do Acusado

O dever mais importante é o cumprimento estrito e imediato de todas as ordens judiciais. Mesmo que a medida seja considerada injusta, descumpri-la é o pior erro possível. Qualquer tentativa de contato para “se explicar” ou “pedir para retirar a queixa” pode ser interpretada como uma violação da ordem e resultar em prisão.

Homem Pode Ser Vítima de Medida Protetiva Falsa?

Sim. Embora a lei tenha sido criada para proteger a mulher, sua aplicação prática abre margem para o uso indevido da ferramenta como forma de vingança ou para obter vantagens em processos de divórcio ou guarda de filhos. Um homem pode, sim, ser vítima de uma alegação falsa que resulta em uma medida protetiva injusta, com consequências reais e danosas à sua vida pessoal, profissional e familiar.

Provas e Elementos Mais Utilizados Nesses Casos

A defesa em um caso de medida protetiva é construída com base em evidências. A palavra da suposta vítima tem um peso considerável, mas não é uma verdade absoluta. É preciso contrapô-la com provas concretas.

Tipos de Prova a Favor do Acusado

  • Conversas de Texto e Áudios: Mensagens de WhatsApp, e-mails ou gravações que demonstrem um contexto diferente do alegado, como um relacionamento cordial, a inexistência de ameaças ou até mesmo a confissão da requerente sobre a falsidade da acusação.
  • Testemunhas: Pessoas que possam atestar sobre o comportamento do acusado, a dinâmica do relacionamento ou que estivessem presentes em momentos chave.
  • Documentos e Álibis: Registros de ponto no trabalho, comprovantes de viagem, recibos ou qualquer documento que prove que o acusado não estava no local dos supostos fatos.
  • Registros de Câmeras de Segurança: Imagens que possam contradizer a versão apresentada na acusação.

Erros Comuns que Devem Ser Evitados

No calor do momento, muitos homens cometem erros que prejudicam sua própria defesa. É vital manter a calma e agir de forma estratégica.

  • Tentar Contato Direto: Como já mencionado, violar a proibição de contato é crime. A comunicação deve ser feita exclusivamente através dos advogados.
  • Não Levar a Sério a Intimação: Acreditar que a medida é “apenas um papel” ou que “vai expirar sozinha” é um erro grave. A medida tem força de lei e vigora até que um juiz a revogue.
  • Expor o Caso em Redes Sociais: Tentar se defender publicamente ou atacar a outra parte online pode ser usado contra você no processo, demonstrando comportamento hostil.
  • Demorar Para Contratar um Advogado: O tempo é crucial. Quanto antes um advogado de medida protetiva assumir o caso, maiores as chances de reunir provas, cumprir os prazos e construir uma defesa sólida.

Quando e Por Que Procurar um Advogado Especialista

A busca por um advogado deve ser imediata, logo após o recebimento da intimação. Um advogado generalista pode não ter a experiência necessária para lidar com as especificidades desses casos, que transitam entre o Direito de Família e o Direito Criminal.

Um especialista em defesa em casos de medida protetiva sabe como o sistema funciona, quais os argumentos mais eficazes e como analisar as provas de forma técnica. Ele atuará para:

  • Apresentar a defesa técnica no prazo correto;
  • Solicitar a revogação da medida protetiva, demonstrando sua desnecessidade;
  • Produzir e organizar as provas de forma estratégica;
  • Orientar o cliente sobre como se comportar para não agravar a situação;
  • Preparar o cliente para possíveis audiências e depoimentos;
  • Evitar que a medida protetiva evolua para um processo criminal por lesão corporal, ameaça ou outros crimes.

Conclusão: Protegendo Seus Direitos com Estratégia e Técnica

Receber uma intimação de medida protetiva é uma situação impactante e angustiante. Contudo, é fundamental compreender que ser acusado não significa ser culpado. O sistema jurídico garante o direito à defesa, e é no exercício desse direito que a verdade pode ser restabelecida. Agir de forma impulsiva ou negligente pode transformar uma acusação injusta em um problema jurídico de longo prazo, com danos à sua reputação, liberdade e convívio familiar. A defesa técnica, conduzida por um profissional experiente, é o caminho mais seguro e eficaz para proteger seus direitos. Se você foi notificado sobre uma medida protetiva e acredita que seus direitos estão em risco, é fundamental buscar orientação jurídica qualificada. Um advogado especialista poderá analisar seu caso e traçar a melhor estratégia para proteger seus direitos e sua reputação.